Oficina de Escrita para Teatro - Interromper o Real
Oficina de Escrita para Teatro

Interromper o Real


11 MAIO | 10H00

3 horas | 20 participantes | gratuito

Movimento Um:
A dramaturgia ocidental da segunda metade do século vinte vem reclamar a dignidade do homem comum e da sua vida anónima e banal. Esta ação vem trazer para o centro da atenção dramática a rede subterrânea de eventos que habitam o infradramático e que passam normalmente despercebidos às grandes narrativas oficiais. Vem, com isto, suscitar uma nova tipologia de herói: o desalinhado, o marginal, o rebelde sem causa, o zé-ninguém, em suma, o homem comum. Neste sentido, este ímpeto trará o quotidiano, o insignificante e o ordinário para palco, afastando-nos das histórias trágicas, possibilitando o testemunho e a narração da epopeia da vida humana de todos os dias. [Discussão de aparato teórico: Szondi, Sarrazac, Lehmann]

Movimento Dois:
Num mundo em que a arte tem cada vez menos relevância e em que vai perdendo a sua capacidade de inscrição na esfera pública, que teatro precisamos? Que teatro precisamos para resgatar o mundo de uma escatologia anunciada? Que estratégias de resistência podemos ainda descobrir? Que ações nos restam ainda para que consigamos escapar à doce violência da voragem dos dias? Andar de mãos dadas com amor, passear pela cidade sem rumo, conversar noite dentro?... Que estratégias de interrupção do real nos restam? Como podemos nós interromper o real para a ele voltarmos mais fortes e mais limpos?

VAGAS PREENCHIDAS

Formador

RUI PINA COELHO

Rui Pina Coelho (Évora, 1975) é Professor Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dirige o Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e a Sinais de Cena – Revista de estudos de teatro e artes performativas, desde 2015. Publicou Este título não que é muito longo: textos para teatro (2011-2018) (Companhia das Ilhas, 2020); António Pedro (Colecção Biografias do Teatro Português, CET/ TNDMII/ IN-CM, 2017); A hora do crime: A violência na dramaturgia britânica do pós-Segunda Guerra Mundial (1951-1967) (Peter Lang, 2016); entre outros títulos. Coordena o volume Teatro Contemporâneo Português: Experimentalismo, Política e Utopia [título provisório] (TNDMII/Bicho do Mato, 2017). Como autor, dramaturgista ou tradutor colabora regularmente com o TEP – Teatro Experimental do Porto.