Nunca te irão perdoar
GTIST – Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico

Nunca te irão perdoar


12 MAIO | 21H30

90 min

Nunca te irão perdoar é um espetáculo que parte das ruínas e de um desejo de pensar a desobediência como gesto de resistência poética.
Partindo de uma memória do grupo de teatro GTIST - que teve a ousadia de fazer a Antígona de Brecht em plena ditadura - regressamos a este texto num momento em que as ruas voltam a conhecer não o vazio de uma peste, mas a desumanidade dos sistemas de opressão. Os mortos caem na sua tentativa de conservar a liberdade de um lugar, de um tempo, acima de tudo do corpo. O corpo como única pátria possível fora de sistemas inventados para perpetuar falsas ideias de poder.
Nenhum ditador ama a pátria, muito menos as pessoas que julga representar. Todos os ditadores acabam sempre por perder. Não nos podemos esquecer disto. A história do mundo não pertence aos ditadores, mas aos resistentes, aos visionários, às mulheres que caminham confiantes de que amanhã será sempre melhor, pertence às pessoas que reinventaram o seu discurso, que anularam fronteiras, que ampliaram formas de amar e de serem amadas, cumplicidades sexuais, discursos eróticos, ações de desobediência. Desobedecer como um gesto de intimidade revolucionária, movimento poético. Os mortos continuam a precisar dos seus funerais, das lágrimas, dos rituais.

Nunca te irão perdoar é um espetáculo construído sobre uma dramaturgia-rizoma, uma mitologia despedaçada, surgem as vozes de Antígona, do Zaratustra - bailarino filósofo que surge na invenção de Nietzsche - anjos da história, anjos do desespero, corpos expulsos do paraíso, esquecidos numa última festa que se esqueceu de ser alegre e que agora persiste na melancolia revolucionária de Walter Benjamim ou nos rostos e corpos desfigurados de Raúl Brandão, a eles junta-se todas as mulheres que não abandonam as suas casas, o ciclista perto dos tanques, a orquestra entre escombros, as mulheres e os sacos das compras, o pianista que toca sem parar, e todos aqueles que caminham e caminham e caminham. Rimbaud também caminhou nessa fuga eterna, ele que disse até ao esgotamento: É preciso reinventar o amor. Antígona diz: eu não nasci para odiar, mas sim para amar. Zaratustra diz: eu só consigo acreditar num Deus que saiba dançar.
Nunca te irão perdoar é um espetáculo de teatro coreográfico, que cria paisagens que surgem em simultâneo, que se aproxima da escultura, do cinema, da arquitetura. Nunca te irão perdoar é acima de tudo um elogio ao teatro universitário que durante décadas serviu como resistência à ditadura e que hoje, sobretudo hoje, não deve esquecer nunca o seu fundamental discurso de experimentação, de independência e democratização da arte. Acabo com mais uma breve memória deste tempo:
um teatro experimental na Ucrânia, hoje lugar de apoio para aqueles que foram obrigados a deixar tudo, é conhecido não só pelos seus espetáculos a partir de filosofia, mas também por colocar os espectadores no palco e os performers no espaço da plateia, e tudo isto é tão belo, só a beleza nos salva. Este espetáculo também é para todas estas pessoas belas, belas como os resistentes russos que gritam contra a guerra, belas.
Este espetáculo é dedicado aos corpos de amanhã.


RESERVAS

Os espetáculos são de entrada livre mas sujeitos à lotação da sala.
Os pedidos de reserva devem ser realizados através do email fatal@campus.ul.pt até às 13:00 do dia do espetáculo. As reservas carecem de confirmação.

EM COMPETIÇÃO

FICHA TÉCNICA

Encenação e Dramaturgia: Tiago Vieira

Coordenação e Produção executiva: GTIST

Espaço cénico: Complexo Desportivo do IST

Figurinos: Tiago Vieira

Espaço sonoro e paisagem cinematográfica: Tiago Vieira

Desenho Coreográfico: Tiago Vieira

Produção gráfica: GTIST

Interpretação: GTIST (Diogo Gomes, Duarte Ruas, Emanuel Frazão, Fábio Santos, Filipe Isidoro, Francisco Peres, Helena Ng, João Soares, José Miguel Santos, José Pedro Fernandes, Maria Costa, Maria Patrícia Couto, Ricardo Gerardo, Sara Mesquita e Sofia Sequeira)

Texto da peça: adaptação livre de Tiago Vieira a partir de textos de Raúl Brandão, Brecht, Nietzsche e Rimbaud.